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    • COMO SOLUCIONAR PROBLEMAS DA DIRETORIA

      Realiza-se um diagnóstico na empresa e constata-se que um grande número de funcionários de todos os níveis reclama da falta de comunicação e da má comunicação: as pessoas sentem-se desinformadas. confusas, alheias aos acontecimentos, perdidas e apáticas.

      Do topo à base da pirâmide hierárquica todos sentem que há algo errado. Os chefes acham os subordinados desinteressados e estes acham aqueles fechados e distantes; os colegas não colaboram entre si; os departamentos formam fundos inexpugnáveis e os comportamentos predominantes são artificiais, não cooperativos; cada um parece insensível às necessidades dos outros.

      Onde está o problema? A experiência mostra que está na sala da diretoria. E sua base fundamental é o medo irracional e injustificado que os diretores têm de abrir as portas da gerência participava e perder o controle ela empresa. Os diretores têm poder e, por meio ele suas atitudes e do exemplo, dão o tom dos comportamentos comunicativos dentro da organização - e só eles podem de fato ser responsabilizados quando o clima não é o ideal.

      Quantos diretores reconhecem que são a raiz de um problema qualquer? Não seria mais fácil achar culpados mais embaixo na hierarquia, evitando assim ter de passar por um processo de mudança de pessoal? Tudo isso são grandes problemas.

      Frequentemente notamos que funcionários bem-intencionados já tentaram falar a verdade aos diretores ou ao diretor (às vezes o problema é o chefão, o Chief Executive Officer - o CEO -como dizem os americanos), mas por meio de uma veemente negação da verdade, direta ou indireta, o chefe colocou esses funcionários no devido lugar e ficou o dito por não dito.

      Há sempre o funcionário que insiste em ser verdadeiro, em fazer valer o salário que recebe, e em apontar algo que esteja errado e contra os interesses da empresa ou do próprio chefe.

      Alguns são demitidos por se tornarem chatos, mas demiti-los não resolve o problema de modo algum, e mais cedo ou mais tarde o diretor lerá de olhar no espelho e buscar soluções verdadeiras para os problemas da empresa.

      Se há algo que pode trazer alívio à um diretor é resolver os problemas de comunicação da empresa - mas nem sempre há essa consciência. Só quando o diretor percebe que o medo da comunicação vem dele próprio, e que a abertura não provoca o caos, é que começa a melhorar a emissão e recepção de mensagens na linha vertical. Isso altera o quadro de apatia e ele passa a contar com mais apoio para as suas metas.

      Descobre que os outros são capazes de colaborar, de ter boas idéias, de aceitar responsabilidades e desafios, mesmo que esses outros não sejam ele. Sente alívio em seu estresse, pois percebe que não está sozinho e que nem mesmo precisa ser distante, formal e artificial para sustentar seu poder; pode ser autêntico, sorrir, abrir-se, confessar seus medos... e, com tudo isso, tornar-se ainda mais forte e capaz.

      A vida fica mais fácil para ele e para os outros.

      Um quadro de má comunicação sedimentado em uma empresa requer uma solução sistêmica. Dos diretores é imprescindível vontade de resolver e aceitação da mudança pessoal. A partir daí, deve-se atacar pontos fundamentais associados às dificuldades de comunicação.

      A cultura, por exemplo, que é a maneira de sentir, pensar e agir da comunidade. Essa tem de ser atacada com treinamento conceitual e com atitude.

      Veículos e mecanismo de comunicação interna também precisam ser revistos e repensados e, frequentemente, é necessário criar instrumentos de aproximação entre diretores e a base da pirâmide. Enfim, um bom diagnóstico mostra onde estão os problemas e quais são as soluções.

      Para realizar tudo isso é importante pedir ajuda a um consultor externo. Ele agirá como bobo da corte, aquele que percebe com maior clareza o que está ocorrendo e fala a verdade, sem risco de perder o emprego.

      Ausente da cultura e das competições da empresa, sugerirá uma estratégia de mudança e também instrumentos que façam com que essa mudança seja a mais rápida e menos traumática possível.

      Agirá também como uma espécie de amortecedor nos eventuais conflitos que já existem e estão camuflados e que mais cedo ou mais tarde deverão aflorar, para que a empresa pegue o caminho da eficácia.

      Tudo isso parece complicado, mas não é. Havendo boas intenções no topo o resto se revolve com grande facilidade. Vale sempre a pena, pois com problemas de comunicação como é que uma empresa pretende chegar ao mundo da hiper competição que aí está?

      ROSA. José Antônio. O Estado de S. Paulo. Caderno de Empresas. 12/08/1997.